Mais uma vez, e tal como aconteceu na "Corrida do Ano" de Santarém em que alternaram os Mouras com Diego Ventura, a Empresa Aplaudir lançou um comunicado em que sem se referir a nomes desmente boatos que davam como esgotada a corrida da alternativa de Francisco Palha no Montijo onde actua também o furacão Ventura.

A ser verdade a existência destes boatos é de facto lamentável que isto aconteça. Os intervenientes da festa brava têm uma vez por todas que consciencializar-se que correm todos para o mesmo lado e que o que leva o público ás praças é a qualidade dos cartéis e não o número de corridas.
É de extrema importância que as empresas gestoras das praças comecem a exigir mais qualidade aos cavaleiros portugueses e que os comecem a seleccionar não pelos nomes mas sim pelas prestações e pela quantidade de público que levam ás praças. Existem muitos cavaleiros em Portugal a tourear com cavalos que têm qualidade mas que se encontram muito mal arranjados. Nestes casos, é premente que se exija aos cavaleiros que façam mais e melhor com a quadra que têm. Aquilo que se passa hoje em dia é que infelizmente os cavaleiros que mais facilmente esgotam as praças em Portugal são Hermoso de Mendoza e Diego Ventura, dois rejoneadores espanhóis.
Porque é que as principais figuras portuguesas não estão ao nível dos seus conterrâneos espanhóis? Porque é que os Portugueses não atingem o mesmo nível exibicional de Pablo e Ventura?
Existindo cavaleiros que eu não aprecio o estilo, prefiro destacar alguns dos que eu admiro mas que pela sua juventude, deveriam na minha opinião fazer muito mais do que aquilo que fazem.

Por exemplo, João Ribeiro Telles Jr. é, na linha de seu pai e seu tio, um óptimo equitador, com sentido de lide, conhecimento do touro bravo e possui uma quadra de elevado valor. No ano passado começou a variar mais as suas lides com pares de bandarilhas e ferros de violino à moda do seu pai mas isso não chega. Os cavaleiros hoje em dia têm que ter uma enorme variedade de recursos. Veja-se por exemplo o caso de Leonardo Hernandez que com uma quadra reduzida (apenas 3 cavalos de bandarilhas de bom nível) consegue executar uma lide tão variada com bandarilhas ao quiebro e ao piton contrário, citando de perto ou de praça a praça para além de executar adornos de qualidade como piruetas ajustadas e ladeios tanto na garupa como na barriga dos cavalos.

João Moura Jr. é também um cavaleiro que pode dar muito mais à tauromaquia portuguesa, sendo mesmo aquele que melhores condições tem para tal. Esta temporada o cavaleiro tem optado por, nas actuações em Portugal, utilizar o Belmonte num touro e o Castella no outro. Sendo estes dois excelentes cavalos, Moura faz com eles lides muito idênticas não tirando total partido das suas potencialidades.
Brito Paes, Moura Caetano, Salgueiro da Costa ou Manuel Lupi são outros que na minha opinião fazem parte deste lote que pode e deve fazer mais e melhor. Por outro lado, uma vénia a João Moura, Vítor Ribeiro e principalmente a Rui Fernandes que são aqueles que na minha opinião andam mais perto do toureio que eu gosto e que enche as praças.
Caros Cavaleiros da arte de Marialva, pede-se mais treino, dedicação e esforço. E variedade, variedade é a palavra de ordem. Pede-se também que lidem todos os tipos de touros de todos os tipos de ganadarias, mas isso já são contas de outro rosário e fica para um próximo artigo.
João Marcos